segunda-feira, 1 de junho de 2009
da sociedade de classes
sexta-feira, 29 de maio de 2009
Questionamento Religioso
terça-feira, 26 de maio de 2009
O rei desconstrói, sorrindo.
sábado, 23 de maio de 2009
A Redução do Riso 2
A Krapp
A minha memória gravada, (solidão de quem recorda
sem se lembrar), entoa a minha voz apagada,
enquanto eu, preso a um fio rompido, bebo à minha loucura
de ser estrume. E escorrego nele, de face calada,
rememorando os obtusos anos
da minha procura.
Suspendo o fio, adianto, regresso e
grito nos intervalos da lembrança
e contra-digo o discurso que digo;
os aniversários enfadam-me, o amor cansa,
eu fui porcaria jovem e a minha aurora
um castigo.
Nessa caixa número três, na quinta bobina,
rodam os anos magoados,
e eu bebo sozinho e amaldiçoo toda a minha história;
para mais tarde, vencido, de olhos tão fechados,
que se abrirão vazios, escutar abraçado o silêncio
da minha memória.
terça-feira, 19 de maio de 2009
"L´Envoi"
Os romances que estudámos não vos ensinarão nada que possais aplicar aos problemas óbvios da vida. Não ajudarão no escritório, nem no exército, nem na cozinha, nem no jardim-escola. De facto, os conhecimentos que tentei partilhar convosco são puro luxo. Não vos ajudarão a compreender a economia social da França nem os segredos do coração de uma mulher ou de um homem. Mas talvez vos ajudem, se acompanhastes os meus ensinamentos, a sentir a pura satisfação que uma obra de arte inspirada e precisa transmite; e esta sensação de satisfação dará por sua vez lugar a um sentimento de verdadeiro consolo mental, o consolo que se sente quando se toma consciência, apesar de todos os seus equívocos e enganos, de que a textura interior da vida é também matéria de inspiração e precisão.
domingo, 3 de maio de 2009
quinta-feira, 23 de abril de 2009
O Tombo
I. Uma queda principia
Caía a grande velocidade, sem nunca conseguir ver, naquele instante de tempo, alguma das pedras que saltavam e rodavam com o impacto do seu corpo no terreno poeirento e duro, caía e, por entre os trambolhões repetidos, perguntava-se o porquê daquele tombo, daquela queda vertiginosa, não sabia se o haviam empurrado nem sequer de onde tinha caído, se lhe perguntassem de onde tinha vindo, qual era a sua história, ele responderia que não tinha noção de algum dia ter vivido antes destes trambolhões. O seu corpo era enrolado por forças que se sabe existirem mas que raramente se experienciam daquela forma, velocidade aliada a gravidade e uma tremenda de uma queda mal caída, de beiço no chão, sem aviso prévio nem um instante para se poder preparar, nada, tombou logo ali, naquele momento em que, procurava lembrar-se enquanto rebolava pela terra fora, tinha ou não sido empurrado. E se tinha, de facto, sido empurrado, quem o havia feito? Porquê? Buscava na sua memória qualquer rolo perdido onde tal pessoa pudesse figurar, mas não se conseguia lembrar do tempo anterior ao tombo. Nasci aqui, pensou, nesta queda, deste tombo, porventura encontrando, se tal era possível, algum sentido para a existência concretizada através de um trambolhão. E, no entretanto, continuava a rebolar, parecia interminável o movimento, as moções circulares repetidas desmedidamente. O seu corpo impactado contra o chão era festim para as pedras e a sua cabeça, de cada vez que batia no chão, doía-lhe por todas as anteriores. Era um sofrimento que não acabava. E ele sem lembrar-se de nada. Por sorte, chamemos-lhe assim, um pedregulho mais consistente no caminho chocou com a sua cabeça, ou o contrário, e houve uma espécie de flashback, um instante demorado de imagens, de passado, quem saberá, de pessoas, de espaços, de vida.

