quarta-feira, 28 de outubro de 2009

o canto do mar

...
It may be that the gulfs will wash us down;
It may be we shall touch the Happy Isles,
And see the great Achilles, whom we knew.
Tho' much is taken, much abides; and tho'
We are not now that strength which in old days
Moved earth and heaven; that which we are, we are;
One equal temper of heroic hearts,
Made weak by time and fate, but strong in will
To strive, to seek, to find, and not to yield.

"Ulysses", Tennyson

sábado, 24 de outubro de 2009

a vida dos animais

"...Os animais não podem ser humilhados ou destruídos. Há uma espécie de dignidade por falta de recursos morais, uma inteireza fundada no mundo natural. Por meio de consciência, o homem alcança o poder ou a vulnerabilidade que o destrói. Escolhe-se a força ou a destruição própria, através da inspiração passada às provas, na enigmática malha da vida, opondo as astúcias do talento a cada repto das coisas. É o génio íntimo de cada um. Génio que não dá paz, que se contenta de si, e se alimenta no seu mesmo exercício. O poder é o poder, mais nada. Um bicho, depois de fugir em pânico assenta as patas na terra e avança inteiro, com os cornos baixos, ele todo projectado na violência da cabeça. Passa ou não passa. Passa ou morre. A morte é o seu abismo. Não pede perdão. Porque a inteireza animal é cega, limpa como a luz."
Herberto Helder, "Aquele que dá a vida" (in Os passos em volta, p. 105)

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

antecipação

Quero, quero, quero ver este filme, apenas porque esta cena existe.



Blazing Saddlers

re-, pré-, pró-, pós-, final.

Ah, e bastou umas canções jazzy ouvidas por um corpo partido, para que um cérebro adormecesse as sinapses podres de histórias. E as abóboras defeituosas no campo de milho - o cavalo quieto e as cabras orgulhosas, comendo. Prepara-se aqui uma viagem. Para nunca mais voltar.
Tenho fé. Porque não há tempo suficiente para arrastões.

O Minotauro e Eu

O truque afinal não é continuar a correr. É ser semeado conscientemente. Tenho dito mas não tenho feito.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Last evening's quote

"I don't have time to be Forrest Gump"

Causas perdidas porque não se consegue achá-las

Hoje falava com um amigo acerca da desilusão que ambos partilhamos em não termos nascido mais cedo e de não termos vivido nos turbulentos tempos que foram os anos 60 ou 70, por exemplo. Dizíamos que agora não sabemos qual é o nosso inimigo, desconhecemos a cara do monstro que queremos combater. Ele existe, sabemo-lo, existirão até bastantes, mas não há causas tão excitantes como antigamente.
Ora, das duas uma: ou a culpa é nossa e queixamo-nos porque simplesmente nascemos com a inércia típica da "boa" economia em que fomos dados à luz e na relativa superação de algumas lutas que nos providenciaram modos de vida mais confortáveis, ou simplesmente o que estamos a fazer é a olhar romanticamente para o passado.
De qualquer das maneiras, é verdade que me sinto um tanto ou quanto órfão em relação a causas sociais, apesar de saber que existem muitas, já para não falar nas ambientais. Mas falta que os inimigos se revelem, que sejam mais palpáveis, que arreganhem os dentes.
Porque se a coisa continua assim acabaremos todos por morrer de tédio, seja qual for a razão da nossa letargia, estejamos nós a ver a coisa de uma perspectiva errada (não fazendo as perguntas certas) ou não.
E a modorra da minha geração é produto de uma incógnita. É-o?
Não sei, talvez seja coisa do Ocidente. Conheci há duas ou três semanas um rapaz iraquiano, que esteve envolvido nos confrontos contra a reeleição de Ahmadinejad. E ele disse-me que a partir da primeira rebelião nas ruas (com consequentes mortes de protestantes) as pessoas deixaram de temer pelas suas vidas e a raiva era tanta, que só interessava deitar abaixo o tirano.
Então, pergunto: afinal, que espécie de morosidade é esta de que eu e o meu amigo falávamos?