segunda-feira, 16 de novembro de 2009

fairy king

O tipo de deboche que nós europeus do sul vemos dentro e fora de portas (chamem-lhe deboche, divertimento, maluqueira, o que quiserem) acontece aqui nos Estados Unidos, pelo menos na Califórnia, somente em festas em casa ou bares/discotecas. O curioso é que nesse aspecto é perfeitamente reconhecível que, apesar das diferenças no modo de viver e sair à noite (e são algumas), as pessoas continuam a ser pessoas. E se é também verdade que há nuances culturais que devem ser aprendidas e respeitadas, aqui e não só, no que à interacção e relacionamentos sociais concerne, o apreciado deus Baco (para apenas citar o romano) trata de fazer com que muitas dessas aparentemente adamastoras "leis" que marcam o facto de eu ser português e interagir com um americano se esbatam até vermos que essencialmente somos todos os mesmos animais sedentos de carne. O que muda, porventura, é a parte que não é física. E mesmo essa...mesmo essa, bem, que interessa essa parte se caem uvas do céu numa festa?

sábado, 14 de novembro de 2009

Caixa de Pandora

Há um sítio muito interessante e polivalente na rede da internet chamado Pandora Radio. O que se faz? Escolhe-se um artista ou música e o sistema trata de encontrar músicas desse artista e depois comporta-se como uma estação musical, passando canções que se relacionam com o som que se escolhe. Pode-se criar múltiplas estações e, dependendo do estado de espírito (pessoalmente, para limpezas, costumo escolher a estação Buraka Som Sistema) ou do objectivo do momento, disfrutar de uma sequência minimamente coerente. O curioso que me aconteceu hoje, usando o Pandora, foi que escolhi a minha estação da Lady Gaga. Britney e Christina surgiram logo de seguida, Justin e Madonna também. A surpresa foi quando a estação começou a tocar Coldplay.
E há uma frase que tenho usado muito recentemente, dado o meu contacto com a cultura americana: "These things happen." E, sim, acontecem. E estou para ver por que carga de água Coldplay tem algo a ver com os artistas mencionados.
Aqui vai o link:

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Publicidade

Sempre fomos bons a produzir anúncios.

Este mais antigo penso que ganhou alguns prémios: http://www.youtube.com/watch?v=JN8d9c8abtE


Este acaba de ganhar um prémio internacional para o melhor anúncio sobre a prevenção da sida:

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Salvação (?)

"Les oiseaux qu'on met en cage
Peuvent-ils encore voler?
Les enfants que l'on outrage
Peuvent-ils encore aimer?"

Esmeralda, "Les oiseaux qu'on mette en cage." Notre Dame de Paris

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

homenagem à tragédia

Emiliana Torrini - "Gollum´s Song"

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

lost poetry

Sailing through seven seas and more,
hungry we are forever for something else.
And it may be that our ship never really finds any land,
it may be that the tempests never fade;
And though we are traveling lost in time
our clocks tick with each of our heartbeats.

(lost text)


Sailing the seven seas and more,
are we not always wishing to be someone else?
And, alas, our ship finds the isles
baffed up by golden winds and drowned in divine liquor!
It could be that if we stopped (lost text)
(lost text)

the tempests faded and yet our
hearts grieve the darkness that was lost.
(lost text)

The clocks have stopped...

anonymous English poet from the 17th C

terça-feira, 3 de novembro de 2009

quatro pios na noite


1. Por mais que estejamos, em última instância, sozinhos, nunca estamos realmente sozinhos. É uma estranha dicotomia que opera na vida de uma pessoa. Nunca seríamos eternos se não morrêssemos, do mesmo modo que nunca viveríamos, criada que foi a "sociedade", se não houvesse mais pessoas.



2. Não é coisa nova que eu diga que as cicatrizes físicas que carregamos são quase a mesma coisa que aquelas que nos afectam o que não é biológico. E também não é novidade se eu afirmar que a grande diferença entre umas e outras é que a maior parte das cicatrizes no corpo são mais fáceis de esquecer (aqui perdoar-me-ão as pessoas que vivem com marcas na face, por exemplo) do que as da chamada "alma". Muitos teóricos que se debruçam sobre o mecanismo da memória já o afirmaram (Marc Augé, para citar apenas um) e eu reforço: se conseguíssemos esquecer certos momentos e acontecimentos que nos perturbaram maliciosamente seria muito mais fácil lidar com tudo o que está inerente à existência. Mas também perderíamos muito do bom que adquirimos. Resta saber o que vale mais: o sofrimento de viver com cicatrizes que nunca realmente cicatrizam ou a amnésia que pode muito bem matar depressões.



3. Vai um grande espaço entre distância física e distância mental. Hoje em dia em vinte horas estamos em qualquer parte do mundo. O que são vinte horas? Quase nada, o tempo de ler dois, três livros, ver dois ou três filmes e dormir, contando que estejamos a viajar. E se carregarmos o nosso barulho de fundo connosco o nosso peso aumenta tantas vezes quantas nos imaginarmos de volta ao ninho. A questão, claro está, é o receio de que o ninho já não seja o mesmo ninho e que o território longínquo não nos providencie um outro. Em parte, estar num sítio novo é complicado porque o local é alheio a nós (ou nós somos-lhe alheios), mas a grande fatia daquilo que este tipo de desassossego é feito é a liminalidade. Ou talvez isto tudo seja parvoíce minha.



4. E fica um desenho que fiz e colori. Não tenho jeito absolutamente nenhum para estas coisas. O curioso é que pintei o "ser" que desenhei com cores que lembram a bandeira portuguesa e apenas no fim notei isso. Vá-se lá saber as partidas que nós pregamos a nós mesmos. O título é "The Howl".