sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Os pássaros negros de asa laranja

A caminho da biblioteca invadiu-se-me uma felicidade quase incontrolável, explosiva, não fosse eu um moço recatado e respeitoso dos preceitos que estabelecem as fronteiras entre a sanidade e a loucura. Os agentes responsáveis? Esta canção da Marisa Monte e a beleza dos sons juspostos com as palavras. E nem precisei de ter Deus como um império para não me sentir sozinho no mundo. Mas acredito que as flores que eu oferto/ofertei nunca morrerão. Um ramo de uma árvore que se estendia por cima de mim caiu sem me atingir. E agora sei de onde vêm os anjos. O último acorde da música senti-o no pousar de pássaros negros com asas laranja.
O vídeo não é o melhor, mas o momento foi:


terça-feira, 17 de novembro de 2009

Correcção

Há quem diga que eu sou um jovem que com tão tenra idade já se sente desiludido e cansado do mundo. Eu respondo que não. O que se passa é exactamente o contrário. Por ser tão apaixonado pela vida e pelo mundo é que me sinto muitas vezes incapacitado de os aproveitar ao máximo. E isso, sim, isso entristece-me profundamente e cria ciclos que podem parecer desgosto perante a existência. Mas ela apenas me dói quando não a posso existir profundamente. Mas quando isso acontece, um simples fio de relva pode fazer-me chorar, de tão naturalmente perfeito que pode ser.

Talvez o problema seja que ao contrário de muita gente eu tenho consciência em demasia de que adoro viver. E isso origina dores que muitas outras pessoas não podem nem conseguem entender. Porque o universo não faz sentido nenhum, nem as dimensões, nem o monótono mexer de um dedo, se estivermos atentos aos pormenores; isso é assim e eu desconfio e confio que será sempre dessa maneira. É o caso que a dissociação de tudo o que existe é uma coisa assustadora - a pergunta/resposta que podemos sempre pôr e que é concomitantemente consolo e miséria é a seguinte: se nada faz sentido por que raio é que sentimos tudo o que sentimos por outras pessoas, pelo nosso contacto com o que nos rodeia, pelo simples prazer ou desconforto de manejar o cérebro e fazê-lo divertir-nos ou aterrorizar-nos?

Porque vale a pena gostar de estar vivo é sempre possível que alguns desejem a morte. Não é o meu caso. Mas talvez já tenha sido ou ainda seja sem eu notar.

E se sentirmos o que quer que seja é sempre bom sinal, para o mal ou para o bem.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

fairy king

O tipo de deboche que nós europeus do sul vemos dentro e fora de portas (chamem-lhe deboche, divertimento, maluqueira, o que quiserem) acontece aqui nos Estados Unidos, pelo menos na Califórnia, somente em festas em casa ou bares/discotecas. O curioso é que nesse aspecto é perfeitamente reconhecível que, apesar das diferenças no modo de viver e sair à noite (e são algumas), as pessoas continuam a ser pessoas. E se é também verdade que há nuances culturais que devem ser aprendidas e respeitadas, aqui e não só, no que à interacção e relacionamentos sociais concerne, o apreciado deus Baco (para apenas citar o romano) trata de fazer com que muitas dessas aparentemente adamastoras "leis" que marcam o facto de eu ser português e interagir com um americano se esbatam até vermos que essencialmente somos todos os mesmos animais sedentos de carne. O que muda, porventura, é a parte que não é física. E mesmo essa...mesmo essa, bem, que interessa essa parte se caem uvas do céu numa festa?

sábado, 14 de novembro de 2009

Caixa de Pandora

Há um sítio muito interessante e polivalente na rede da internet chamado Pandora Radio. O que se faz? Escolhe-se um artista ou música e o sistema trata de encontrar músicas desse artista e depois comporta-se como uma estação musical, passando canções que se relacionam com o som que se escolhe. Pode-se criar múltiplas estações e, dependendo do estado de espírito (pessoalmente, para limpezas, costumo escolher a estação Buraka Som Sistema) ou do objectivo do momento, disfrutar de uma sequência minimamente coerente. O curioso que me aconteceu hoje, usando o Pandora, foi que escolhi a minha estação da Lady Gaga. Britney e Christina surgiram logo de seguida, Justin e Madonna também. A surpresa foi quando a estação começou a tocar Coldplay.
E há uma frase que tenho usado muito recentemente, dado o meu contacto com a cultura americana: "These things happen." E, sim, acontecem. E estou para ver por que carga de água Coldplay tem algo a ver com os artistas mencionados.
Aqui vai o link:

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Publicidade

Sempre fomos bons a produzir anúncios.

Este mais antigo penso que ganhou alguns prémios: http://www.youtube.com/watch?v=JN8d9c8abtE


Este acaba de ganhar um prémio internacional para o melhor anúncio sobre a prevenção da sida:

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Salvação (?)

"Les oiseaux qu'on met en cage
Peuvent-ils encore voler?
Les enfants que l'on outrage
Peuvent-ils encore aimer?"

Esmeralda, "Les oiseaux qu'on mette en cage." Notre Dame de Paris

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

homenagem à tragédia

Emiliana Torrini - "Gollum´s Song"