quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Some kind of explanation is worth the shot

"It's not like I made my self a list
of new and different ways to murder your heart
I'm just a painting that's still wet,
if you touch me I'll be smeared,
you'll be stained,
stained for the rest of your life

(...)

There's a crack in my soul
You thought it was a smile

Whatever doesn't kill you...is gonna leave a scar
Whatever doesn't kill you...is gonna leave a scar
leave a scar
leave a scar
Whatever doesn't kill you
is gonna leave a scar.

I'm more like a silver bullet,
than I'm like a gun, not easy to hold.
I'm moving fast and if I stay inside your heart
I'm certain that this will be
the end of your life.

whatever doesn't kill you...is gonna leave a scar
whatever doesn't kill you...is gonna leave a scar
leave a scar
leave a scar
whatever doesn't kill you
is gonna leave a scar.

(...)"

Marilyn Manson - "Leave a Scar"

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Descobrindo

Ok, esta série é simplesmente brilhante. Penso que já saiu há quatro anos atrás mas eu só a descobri muito recentemente. Este é apenas um excerto de um dos episódios. Vale mesmo a pena ver. Através do website www.ovguide.com consegue-se ver quase todos os episódios da primeira e segunda séries.

Enjoy!

arquitectando esqueletos pt2

Queria nunca ter vivido. Queria nunca te ter visto depois de morto.
O esperma saiu e eu esmurrei as gavetas das meias e cuecas.
E o rapaz da sala de jogos eras tu morto,
eu fodia com a tua morte e vinha-me.
O rapaz preto a eriçar-me os pêlos e o medo de que me estivesses a ver. Eu descobria-me
e tu
morreste-me.
Vi-te em todos os momentos das nossas vidas.
E eu preso no meu corpo que não soube responder a tudo.
A tua mulher chorava num dos quartos e eu beijei-a com a minha boca nojenta e senti-me porco e indigno
E o tempo da vida deixava-se sempre sentir como um momento
O jantar. O cisma.
ceifou metade de um pulmão.
Ganhava terreno a noite.
um jazigo mais belo do que a tua própria casa e quase tão valioso. Nunca soube, naquele tempo, que fazer-te uma homenagem assim era ridículo
Quantas asas é possível cortar-se a um homem?
voltava a mim a tua imagem
(penso eu que olhei)
existe a morte e o eterno sofrimento de nos lembrarmos da vida de quem morre e antes é nosso, garantidamente para sempre.
Há quantos anos foi que tudo aconteceu?

monólogo

Chove e apetece-me dar uma volta à chuva. Ver o mar, talvez, cala-se e olha para o chão, mas e se me molho, o que me acontece, isto nem o diz em voz alta, há sempre a possibilidade de uma gripe, não posso, não, recomeça a falar, até porque não seria bom ficar doente antes do natal, do natal, suspende o que vai dizer, mas por que razão não me molho, posso sempre usar um guarda-chuva, pensa em voz alta, sim, posso, e molho só o essencial, os pés, que de qualquer modo estarão calçados, olha para os sapatos encostados a um canto, nenhum mal maior há-de vir daí, ela dorme na minha cama e não me apetece deitar-me junto dela, olha para ela, e não tenho sono e está calor, sacode a t-shirt, e também não quero ler nem ver um filme nem ver televisão nem escrever, que porcaria, só me apetece andar e ouvir música, olha para o mp3, vou, não vou, fala indeciso, o gajo também desmarcou-se à última da hora e eu que me foda, que caminhe sozinho, só para ver o mar, só para ver o mar, olha para o tecto sonhador, é isso, vou ver o mar.

domingo, 6 de dezembro de 2009

coisas

Nem sempre tenho de conseguir respirar fundo.
Nem sempre tenho de me rir.
Nem sempre tenho de gostar de viajar.
Nem sempre tenho de me deitar a horas.
Nem sempre tenho de não ter medo.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

San Francisco





































Não me peçam para explicar a minha recente viagem a San Francisco. Não sei bem o que dizer sobre a cidade, senão que não sei se gostei mas que tenho umas ganas de lá voltar e não as consigo racionalizar. E ainda estou para perceber por que razão na livraria de literatura gay e lésbica havia um livro do António Lobo Antunes.
















quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

A palavra

Por vezes, ignorante que sou, parece-me presunçoso que se ache que se pode definir o conceito de 'palavra'. O que é uma palavra? É-me estranho que para se definir 'palavra' se tenha de usar palavras. É redundante, no mínimo, e extremamente irónico e inglório. Matem-me os linguistas se estiver a dizer barbaridades. Ainda assim, que finalidade tem a 'palavra', a 'língua', se há coisas, estados, que são absolutamente inomináveis? O próprio facto de serem inomináveis justifica o argumento de que a palavra de pouco nos serve e mais vezes do que desejaríamos. E, no entanto, há uma palavra que é 'inominável' mas que, ao querer dizer tanto, diz nada, porque é deficiente e insuficiente. Haverá palavras nas línguas a menos ou a mais? Repito: o que é e para que serve exactamente uma palavra?