quarta-feira, 15 de julho de 2009

Nas Fissuras

Não será a liminalidade uma comprovação da necessidade humana de tudo categorizar e organizar? Afinal, porquê definir o que está "in-between", seja isso transitório ou permanente?

segunda-feira, 13 de julho de 2009

sempre

E apesar de toda a minha racionalidade ainda me questiono: estarei eu a fazer as perguntas certas?
O que me faz permanecer acordado à noite, deliberadamente, esperando que o nevoeiro desapareça e que venha o manto azul cobrir-me? Espera o meu espírito uma "mensagem nova" todos os dias e eu olho constantemente o visor do telemóvel. Mas ele devolve-me o meu próprio rosto, carregado, cometendo os mesmos crimes de outrora. Não foi para isto que me construí, direi. Mas se não foi para isto, foi para quê? Por que razão permaneço eu acordado, se a minha árvore é perfeitamente capaz de si mesma? Porque necessito eu que desvaneça a neblina?
Porque espero eu por um dos outros lados do mar, se já um me foi prometido? Porque vagueio eu aqui, esperando?
E olho para o céu. Venerando a minha estupidez. Sorrindo.

sábado, 4 de julho de 2009

Um dos Tempos

Um dia ainda hei-de recordar-me do meu futuro e sabê-lo e senti-lo tão belo quanto ele será.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

as reticências

Gostava até de...

domingo, 28 de junho de 2009

Baco

Engano o desejo de viver. Quatro cavalos, diz quem sabe. Mas o coche não se mexe. Fico parado, tu não me vês (quero eu que me vejas?). Quem me vai guiar? Ninguém.

Que toda a gente venha ver o lusco-fusco.

Eu morrerei mais à frente.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

do Sul

"chiamu la vita e sempri morti marrispunni"

in "Vitti Na Crozza"

terça-feira, 23 de junho de 2009

A Solução Final

"Dai-me os frutos do vosso vómito. E as tesouras para podar o meu eco. A escada para subir ao elefante do escárnio. Rio-me face ao sol. E nem sei se beber vinho me faz inchar as mãos. O que está do outro lado é sempre melhor, mais feliz. Dai-mo, esse lado trespassado pela alergia de ser morrente. Para que eu ultrapasse a vida no desejo de me ter."
Sem género nem nome, assim sobrevoaremos a cidade e assistiremos à sua autodestruição. Sentiremos o chão desabar sob os nossos pés e o calor insuportável do fim do mundo. Desapareceremos. Mas na nossa concretização final, no suprimir da Terra, daremos a vida pelo diário - para que fique originalmente no centro do novo planeta que surgirá. Sim, destruamos o mundo. Sem nome nem género. A cidade em chamas, nós daremos as mãos ao ardermos. E a história há-de recomeçar já escrita.