quarta-feira, 4 de novembro de 2009

lost poetry

Sailing through seven seas and more,
hungry we are forever for something else.
And it may be that our ship never really finds any land,
it may be that the tempests never fade;
And though we are traveling lost in time
our clocks tick with each of our heartbeats.

(lost text)


Sailing the seven seas and more,
are we not always wishing to be someone else?
And, alas, our ship finds the isles
baffed up by golden winds and drowned in divine liquor!
It could be that if we stopped (lost text)
(lost text)

the tempests faded and yet our
hearts grieve the darkness that was lost.
(lost text)

The clocks have stopped...

anonymous English poet from the 17th C

terça-feira, 3 de novembro de 2009

quatro pios na noite


1. Por mais que estejamos, em última instância, sozinhos, nunca estamos realmente sozinhos. É uma estranha dicotomia que opera na vida de uma pessoa. Nunca seríamos eternos se não morrêssemos, do mesmo modo que nunca viveríamos, criada que foi a "sociedade", se não houvesse mais pessoas.



2. Não é coisa nova que eu diga que as cicatrizes físicas que carregamos são quase a mesma coisa que aquelas que nos afectam o que não é biológico. E também não é novidade se eu afirmar que a grande diferença entre umas e outras é que a maior parte das cicatrizes no corpo são mais fáceis de esquecer (aqui perdoar-me-ão as pessoas que vivem com marcas na face, por exemplo) do que as da chamada "alma". Muitos teóricos que se debruçam sobre o mecanismo da memória já o afirmaram (Marc Augé, para citar apenas um) e eu reforço: se conseguíssemos esquecer certos momentos e acontecimentos que nos perturbaram maliciosamente seria muito mais fácil lidar com tudo o que está inerente à existência. Mas também perderíamos muito do bom que adquirimos. Resta saber o que vale mais: o sofrimento de viver com cicatrizes que nunca realmente cicatrizam ou a amnésia que pode muito bem matar depressões.



3. Vai um grande espaço entre distância física e distância mental. Hoje em dia em vinte horas estamos em qualquer parte do mundo. O que são vinte horas? Quase nada, o tempo de ler dois, três livros, ver dois ou três filmes e dormir, contando que estejamos a viajar. E se carregarmos o nosso barulho de fundo connosco o nosso peso aumenta tantas vezes quantas nos imaginarmos de volta ao ninho. A questão, claro está, é o receio de que o ninho já não seja o mesmo ninho e que o território longínquo não nos providencie um outro. Em parte, estar num sítio novo é complicado porque o local é alheio a nós (ou nós somos-lhe alheios), mas a grande fatia daquilo que este tipo de desassossego é feito é a liminalidade. Ou talvez isto tudo seja parvoíce minha.



4. E fica um desenho que fiz e colori. Não tenho jeito absolutamente nenhum para estas coisas. O curioso é que pintei o "ser" que desenhei com cores que lembram a bandeira portuguesa e apenas no fim notei isso. Vá-se lá saber as partidas que nós pregamos a nós mesmos. O título é "The Howl".



segunda-feira, 2 de novembro de 2009

da descontinuidade que é a ficção

"What makes history impossible is what makes story possible."

Charles E. May, The New Short Story Theories

sábado, 31 de outubro de 2009

mensagens subliminais

Sweet Dreams, Kirsten lepore

Não percebo bem a relação do queque com o vegetal. É...estranha...

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

o canto do mar

...
It may be that the gulfs will wash us down;
It may be we shall touch the Happy Isles,
And see the great Achilles, whom we knew.
Tho' much is taken, much abides; and tho'
We are not now that strength which in old days
Moved earth and heaven; that which we are, we are;
One equal temper of heroic hearts,
Made weak by time and fate, but strong in will
To strive, to seek, to find, and not to yield.

"Ulysses", Tennyson

sábado, 24 de outubro de 2009

a vida dos animais

"...Os animais não podem ser humilhados ou destruídos. Há uma espécie de dignidade por falta de recursos morais, uma inteireza fundada no mundo natural. Por meio de consciência, o homem alcança o poder ou a vulnerabilidade que o destrói. Escolhe-se a força ou a destruição própria, através da inspiração passada às provas, na enigmática malha da vida, opondo as astúcias do talento a cada repto das coisas. É o génio íntimo de cada um. Génio que não dá paz, que se contenta de si, e se alimenta no seu mesmo exercício. O poder é o poder, mais nada. Um bicho, depois de fugir em pânico assenta as patas na terra e avança inteiro, com os cornos baixos, ele todo projectado na violência da cabeça. Passa ou não passa. Passa ou morre. A morte é o seu abismo. Não pede perdão. Porque a inteireza animal é cega, limpa como a luz."
Herberto Helder, "Aquele que dá a vida" (in Os passos em volta, p. 105)

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

antecipação

Quero, quero, quero ver este filme, apenas porque esta cena existe.



Blazing Saddlers